Aprovada pelo Conselho de Administração há seis meses, após apresentação da fornecedora de material esportivo, a camisa do Grêmio para a temporada de 2009 foi lançada no último domingo numa ação promocional em parques e praças de Porto Alegre. Em seguida, foi estreada pelos jogadores na partida diante do Botafogo, no estádio Olímpico, pelo Campeonato Brasileiro. Conforme o Departamento de Marketing do clube revelou ao Final Sports, até o momento a receptividade da torcida ao novo uniforme tem sido excelente.
“Fizemos uma blitz durante quase todo aquele dia para o público conhecer em primeira mão a nova camisa. Foi uma ação ousada para avaliação externa. E foi maravilhoso, o pessoal ficou satisfeito e aplaudiu, principalmente nos locais de maior concentração de público”, afirma Michelle Billo, gerente de Marketing do Tricolor, que credita aos modelos masculinos as vaias ouvidas no estádio durante o desfile na pista atlética, antes do jogo.
Para Billo, a rejeição inicial à nova camisa, cujas fotos vazaram na Internet, foi modificada assim que os torcedores puderam contatá-la diretamente.
“Mudou 100%. Os números mostram isso. A camisa foi divulgada de uma forma incorreta, na Internet, sem produção, pendurada em um cabide. Era uma foto amadora, provavelmente de celular. Quando a camisa pôde ser vista, as pessoas a acharam linda”, ressalta.
O clube acredita que o tempo fará cair as resistências ao novo uniforme, cujo desenvolvimento foi baseado em modelos mais antigos e de sucesso.
“A inspiração do uniforme deste ano, em relação à listra mais larga, é exatamente a camisa que foi ovacionada e eleita a mais bonita do país em 2005. Que contra-senso é este?”, questiona Silvana Lanza, gerente da GrêmioMania, a loja oficial do clube. Ela acredita que as 1.500 peças vendidas em cinco dias no Olímpico demonstram o sucesso do material.
Billo assegura que o tom de azul da camisa de 2009 não foi modificado na comparação com anos anteriores, como se especulou, entende que a novidade gera insegurança, mas critica aqueles que apóiam o abaixo-assinado que circula na Internet e pede a retirada da Puma do fornecimento de material esportivo ao Grêmio. 
“Acredito que estas pessoas não sejam gremistas. Recebo e-mails diariamente e conheço o gremista, e ele está aprovando. Tenho relatos de torcedores que viram na rede e não gostaram, mas depois acabaram comprando na loja, pois acharam bonita. Não são gremistas que estão fazendo este abaixo-assinado e acredito que ainda não viram a camisa pessoalmente”, enfatiza.
Lançado no começo de fevereiro, o modelo gremista específico para a disputa da Libertadores não provocou tamanha discussão, sendo aprovado pela maioria da torcida. Em três meses, a loja do clube já comercializou mais de 20 mil modelos, contabilizando-se apenas o que foi vendido no próprio estádio.
Em contato diário com os clientes, Lanza lembra que as características do uniforme para a competição continental também foram alteradas, mas não suscitaram polêmica. Apesar do sucesso, o aproveitamento da camisa depois da participação do clube na Libertadores está descartado. A gerente da loja gremista revela que a resistência ao modelo 2008, cuja faixa azul nas costas não agradava, foi muito maior do que o movimento verificado agora.
“No ano passado a rejeição foi infinitamente superior. Lidamos com números e eles provam. Em 2008, durante uns dois meses, quase tivemos que fazer um plantão na loja para defender a camisa. Depois, o torcedor assumiu a decisão do clube. Acredito que as pessoas deste abaixo-assinado são representativas e têm o direito de se expor. Assim como os 30, 40 mil que vêm ao Olímpico e têm o direito de comprar”, diz.
Diante da discussão, o Marketing do Grêmio estuda formas de aumentar o envolvimento da torcida no processo de escolha das camisas a serem lançadas nos próximos anos. Uma experiência de bom resultado dá segurança ao clube.
“A Shadow (camisa preta de 2005) veio por sugestão do torcedor, foi bem aceita internamente e até hoje é sucesso de vendas. As escolhas do clube estão mais abertas ao público e queremos a aproximação com o torcedor, que é crítico e tem bom gosto. Precisamos ouvi-lo. Estamos avaliando, talvez possamos colocar uma votação em nosso site oficial. O Marketing não está aqui para fazer publicidade, mas para trazer receitas ao clube”, finaliza Billo.
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